Psicologia Positiva: uma nova abordagem para a educação dos filhos.

A Educação Infantil é uma responsabilidade gigantesca que deve se levar sempre em conta os aspectos culturais, sociais e pessoais de cada indivíduo. Cada pessoa é única e é isso que a torna tão especial. Não se restringe apenas em ensinar a ler e a escrever, muito além disso, pais, mães e cuidadores têm o dever de ensinar suas crianças a viverem em sociedade. Talvez essa seja a tarefa mais difícil do mundo, mas com certeza, a mais recompensadora.

A Psicologia Positiva por sua vez vem para agregar nessa fase que para muitos pais, é desafiadora. Diferente de outras abordagens, não mais importantes, esse método se coloca contra qualquer prática adotada na educação que se relaciona a ações que geram punições e chantagens emocionais, uma vez que comprova um aperfeiçoamento de autonomia, autoestima e autoconfiança no indivíduo sem necessidade de tais ações negativas, de cunho ameaçadoras.

Por qual motivo devo acreditar que o castigo não funciona?

Já parou para analisar como é o comportamento da criança quando recebe uma punição por seus atos, que muitas vezes, imaturos? Uma criança que tem algum tipo de comportamento que os pais julgam como errado, recebem automaticamente em vez de acolhimento, uma grande bronca. A partir desse primeiro momento, sua visão de ser insuficiente para seu cuidador ativa. Após isso, o responsável coloca o filho no chamado “cantinho do castigo”, onde as ordens são pensar no que fez, o porque que fez e ficar ali parado os minutos correspondente à sua idade, apenas, segundo muitos, para refletir. Agora se coloque no lugar desse pequeno ser, que ainda está descobrindo os comportamentos de certo ou errado, aprendendo o que sente, o que pensa e como expressar isso, para alcançar melhor compreensão. Como você se sentiria?

A criança que é colocada no denominado castigo, constrói dentro de si medo, baixa autoestima, dificuldade de se comunicar, de acreditar em si mesmo, vergonha, dúvidas, traumas, culpa e ao contrário do que muitos acreditam, não educa. A partir disso, pode-se desenvolver transtornos, fobias, déficit’s e diferentes outros problemas/doenças mentais, iniciando-se até na fase da primeira infância, podendo acarretar para a vida adulta.

O que é a Psicologia Positiva?

A Psicologia Positiva vem para somar na educação como um todo para qualquer indivíduo, proporcionando melhor qualidade de vida em todos os aspectos e principalmente na saúde emocional das pessoas. Ela aposta no amor, na boa relação, na prática da empatia, do diálogo e de alternativas mais construtivas com foco no aprimoramento do comportamento humano, além de agir diretamente nos aspectos socioemocionais do indivíduo, gerando ganhos em sua área cognitiva.

O castigo que foi citado acima, quebra o vínculo da criança com seu cuidador. As crianças precisam de afeto, de pessoas que as escutem e de instrução. Ameaça gera medo. Amor gera compreensão.

A criança que foi punida no exemplo anterior, ao ficar parada no cantinho assombrado da punição, não consegue fazer uma reflexão do seu ato por não ter tido um acolhimento, instrução e com certeza, uma mistura de sensações inexplicáveis de angústia e dor. O choro não é por ter sido impedido de fazer o que estava antes, mas sim por ouvir dos pais um grito ofensivo em vez de uma correção adequada.

Como faço então para aplicar a prática da Psicologia Positiva na educação da criança?

  1. Invista no diálogo sempre. Esse é um dos instrumentos mais valiosos que existem e de graça! Uma família que se comunica bem, interage de forma respeitosa e descontraída, tem só a ganhar. Claro que não acontece dessa forma todos os dias, mas o que importa é tentar e focar no ganho desse esforço.

  2. Praticar habilidades que demonstrem compaixão é um ótimo passo para o início de tudo. Afinal, quem não sente gratidão por tudo que tem sendo bom para si e para o outro?!

  3. Busque estimular a criança sempre que fizer algo que demonstre talento e dificuldade também. A aposta dos pais e cuidadores vale muito para eles e isso lhes garante que é possível tudo que quiserem e vierem a precisar. O estímulo também leva à reflexão, desenvolve autonomia e bons valores.

  4. Em vez de um castigo, instrua a pensar sobre as consequências de suas ações, para poder ter compreensão do que é bom para si ou não, o que irá contribuir para sua independência.

  5. Seja exemplo do seu filho! Busque não realizar práticas como mentir, procrastinar, não cumprir com combinados e querer premiar um bom comportamento, pois assim irá passar para ele de forma errada, a importância da boa ação.

  6. Toda criança precisa ter o mínimo de entendimento de que regras e limitações precisam ser atendidas. Invista nisso. Seja firme. Na Psicologia Positiva, falamos muito de criação com amor. Entenda, firme não é ser grosso. Firme é ser direto e seguro. E isso funciona muito bem quando o diálogo é bem estabelecido no lar. Isso irá agregar para seu filho, em se tornar uma pessoa que não tem dificuldades nas resoluções de problemas.

  7. Não ceda ao choro. Acolha, explique com calma a importância do que está falando e lhe faça pergunta sobre o mesmo assunto a fim de dar oportunidade a ele de se expressar e entender que as frustrações acontecem com todas as pessoas no mundo, desenvolvendo em si mais confiança e automaticamente, trocará a birra pelo diálogo ao querer algo.

  8. Demonstre estratégias simples de conseguir alcançar um objetivo. Os obstáculos existem e o medo de tudo que é novo também, mas se essas mentes incríveis fossem encorajadas a pensar com mais calma em uma boa solução, o mundo iria ter menos pessoas impulsivas e depressivas.

  9. Tente não rotular seu filho. Não diga que ele é um menino ruim. Diga que sua ação não foi uma boa escolha e o ajude a pensar sobre isso. O poder da persistência na mente infantil é muito significante, fazendo com que ela não sinta-se pequena demais para conseguir alcançar alguma expectativa.

  10. Pratique o perdão. Educar é muito difícil, mas com um passo de cada vez, você com dedicação e certeza irá conseguir. Falar “eu estou muito zangada com você e só vou falar novamente com você quando aprender que não pode fazer mais isso”, faz gerar um medo terrível de magoar quem ele teve a primeira representação de amor na vida. Faça diferente, substitua por: “eu estou chateada com o que você fez, mas te desculpo e vou te ajudar a entender o motivo que leva a sua ação a ser errada”. Assim você faz com que ele não desenvolva estresse e consiga coordenar seus pensamentos e sentimentos, criando o equilíbrio emocional.

Por fim, e se eu tentar de tudo e não conseguir mudar minha forma de educar? Vai ser o fim para meu filho e minha família?

Não! Se acalme. Existem vários estudos que poderá buscar aos poucos para aperfeiçoar essa conduta sua de responsável/cuidador. O primeiro passo você está dando, que é querer melhorar seu relacionamento com seu filho e ter um conhecimento mais amplo no assunto, que foi quando veio até aqui ler tudo isso. O segundo, não mais importante, você também está se empenhando, que é sentir em você a necessidade de moldar algo em si ou no seu filho ou até mesmo em alguém próximo, para uma melhor qualidade de vida e/ou boa saúde mental. Parabéns! Não se culpe quando não der certo. Não se cobre de conseguir tudo sempre e todos os dias fazer o sol sorrir. Faça o seu melhor, um pouquinho de cada vez e se não for o bastante, procure profissionais de Psicologia que possam te orientar. Com certeza será um caminho leve e com grandes recompensas a colher em um futuro não muito distante.

A falha nem sempre é um erro; pode ser simplesmente a melhor coisa que alguém possa fazer em certas circunstâncias. O verdadeiro erro é parar de tentar.” (Burrhus Frederic Skinner)

Por Karime Marconcini

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